Todos os grupos sociais devem ter acesso a atividades físicas, alerta relatório do PNUD

A relação positiva entre praticar atividades físicas e esportivas e as diversas esferas de desenvolvimento já se consolidou. São reconhecidos os benefícios na esfera da saúde, sociabilidade, cognição, produtividade e qualidade de vida como um todo. No entanto, é baixo o nível de envolvimento das pessoas com essas práticas no Brasil: aproximadamente 70% da população é constituída de não praticantes.

O dado consta do “Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional 2017 – Movimento é Vida: Atividades Físicas e Esportiva para Todas as Pessoas”, divulgado na última segunda-feira em Brasília pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O relatório também traz dados sobre o perfil da prática esportiva no Brasil e recomendações aos governos nas áreas de saúde, educação, esporte e desenvolvimento humano.

O PNUD afirma que praticar atividades físicas e esportivas é um direito das pessoas, não um dever. Mostra que essa prática tem valor em si mesma e pode proporcionar desenvolvimento humano quando se dá no tempo livre. Desse modo, as atividades físicas no âmbito doméstico, ocupacional e de deslocamento não necessariamente resultam em mais saúde para as pessoas. Ao contrário, nesses casos, podem apresentar maior incidência de exaustão e lesões.

“Somente haverá desenvolvimento humano pelo esporte quando a prática for fruto de decisão livre e consciente das pessoas, sem limitações de tempo, de renda ou de oportunidades”, ressaltou o coordenador-residente do Sistema ONU e representante-residente do PNUD no Brasil, Niky Fabiancic.

Outro alerta importante trata da necessidade de rever a pedagogia do medo como indutora de atividade física. A prática motivada somente pelo medo às doenças pode garantir um envolvimento inicial, mas não sustenta o envolvimento no médio e no longo prazos.

“As pessoas podem e devem ser livres para dar significado ao seu envolvimento com as atividades físicas e esportivas de maneira ampla e diversa. Praticá-las pode ser sinônimo de saúde, mas também de relaxamento, aptidão física, competição, sociabilidade, diversão, risco e excitação, catarse, beleza corporal, dentre outros”, afirmou o diretor de país do PNUD no Brasil, Didier Trebucq.

O relatório revelou ainda que as disparidades de raça, gênero, renda, escolaridade e as diferenças geracionais se reafirmam quando o assunto é oportunidade de acesso às atividades físicas e esportivas. Mulheres, idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade social, com baixa escolaridade, negros e pessoas com deficiência são os que têm mais baixos índices de prática esportiva no Brasil.

Os homens brasileiros têm 28% mais chances de praticar esportes em relação às mulheres. A parcela da população com mais de cinco salários mínimos pratica o dobro de atividades físicas e esportivas se comparada àquela com renda de até meio salário mínimo, e pratica até 71% mais que a média das pessoas adultas no Brasil. Os brancos praticam 12% mais atividades físicas e esportivas que os negros.

A população de 15 a 17 anos tem 94% mais probabilidade de prática esportiva que aquela acima de 60 anos. O segmento mais escolarizado do país tem um envolvimento três vezes maior que o menos escolarizado, e as mulheres sem instrução são as que menos praticam, chegando a 57% a menos que a média da população adulta brasileira.

Gráfico : Perfil de praticantes de atividades físicas e esportivas no Brasil

O relatório afirma ser preciso advogar a favor das atividades físicas e esportivas para toda a comunidade escolar. É preciso fomentar mais o movimento na escola como expressão das individualidades e construção das relações sociais; considerar as necessidades diárias de atividade física preconizadas para crianças e jovens; promover a experiência e a aprendizagem de e sobre as atividades físicas e esportivas que permitam a autonomia e liberdade da comunidade escolar; e garantir a participação democrática da comunidade escolar no esforço para tornar a escola mais ativa.

Segundo o documento do PNUD, é importante uma nova visão para o Sistema Nacional do Esporte, o qual deve investir mais na melhoria das condições para que todas as pessoas possam praticar atividades físicas e esportivas, sempre e quando essa seja a sua escolha. O sistema poderia apoiar mais cada uma das expressões do esporte (de participação, escolar, de alto rendimento) sem subordinar umas às outras.

Um sistema com estrutura mais aberta e descentralizada permite a elaboração de políticas intersetoriais para garantir o direito ao acesso às atividades físicas e esportivas, afirmou o documento. Esse sistema deve garantir a existência de mecanismos democráticos de participação, com práticas robustas de monitoramento, avaliação, transparência e controle social, completou.

Clique aqui para acessar o relatório completo.

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