Expectativa de vida chega a 75 anos nas Américas

A população das Américas ganhou 16 anos de vida a mais, em média, nos últimos 45 anos. Agora, uma pessoa nascida no continente pode viver até 75 anos, quase cinco a mais do que a expectativa global. O número foi divulgado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Agência celebrou conquistas para a longevidade da população, mas chamou atenção para desigualdades regionais e riscos crescentes, como as doenças não transmissíveis.

“Vivemos mais e temos menos chances de morrer por causas evitáveis, mas esse ganho não foi justo”, disse a diretora da OPAS, Carissa Etienne, em evento em Washington para a apresentação do relatório Saúde nas Américas + 2017.

A expectativa de vida nas Américas avançou 16 anos, em média, nos últimos 45 anos — ou seja, quase dois anos por quinquênio. “Devemos tomar medidas urgentes para combater as desigualdades e garantir que todas as pessoas nas Américas tenham acesso aos serviços de saúde de que necessitam e às condições que determinam uma boa saúde, como o acesso a água potável, educação e habitação digna”, afirmou Etienne.

Segundo o relatório, 81% das pessoas que nascem hoje na região viverão até os 60 anos, enquanto 42% delas ultrapassarão os 80 anos. No entanto, o aumento da expectativa de vida não significa mais anos de vida sem problemas de saúde. Em 2015, a expectativa média de vida saudável nas Américas foi calculada em 65 anos.

Além do ganho em anos de vida, o levantamento destaca que a mortalidade infantil diminuiu 24% entre 2002 e 2013 e 67% entre crianças com menos de cinco anos de idade nos últimos 25 anos.

O documento também aponta um declínio nos casos de malária — 62% a menos entre 2000 e 2015 —, de hanseníase — 10,1% menos entre 2010 e 2014 — e na mortalidade por AIDS — queda de 67% entre 2005 e 2015. Outra conquista foi o aumento da cobertura de pré-natal e dos partos em instituições.

Muitas dessas realizações não ocorrem em todos os países da mesma forma, refletindo as disparidades na região. Para reverter esse cenário, a publicação enfatiza a necessidade de aprimorar os sistemas de saúde e de aumentar o investimento no setor — apenas cinco países investem 6% do Produto Interno Bruto na saúde, proporção recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Doenças crônicas e novos problemas de saúde pública

As doenças não transmissíveis – como as cardiovasculares, respiratórias crônicas, câncer e diabetes – permanecem na vanguarda das principais causas de morte na região. Quatro a cada cinco mortes por ano são provocadas por um desses problemas de saúde. A expectativa da OPAS é de que, nas próximas décadas, haja um aumento nesse número devido ao crescimento populacional, envelhecimento, urbanização e exposição a diferentes fatores de risco.

A publicação revela que o índice de obesidade nas Américas, um importante fator de risco para doenças crônicas, representa o dobro da média mundial — 26,8% em comparação aos 12,9% globais. Além disso, o documento ressalta que 15% da população com mais de 18 anos — 62 milhões de pessoas — vive com diabetes, número que triplicou durante a última década.

Embora a mortalidade por doenças cardiovasculares tenha diminuído em quase 20%, em média, ao longo dos últimos dez anos, elas continuam a ser as principais causas de morte na região. O levantamento da OPAS também adverte que 1,3 milhão de pessoas morreram de câncer em 2012, 45% delas prematuramente, isto é, antes dos 70 anos.

Outros desafios são os acidentes de trânsito, que foram responsáveis por 12% das mortes em 2013, bem como as altas taxas de homicídios, que colocam 18 países da América Latina e do Caribe entre os 20 com mais homicídios em todo o mundo.

Além disso, mudanças ambientais, nos estilos de vida e no deslocamento das populações contribuíram, em parte, para o surgimento de doenças infecciosas consideradas emergentes. São os casos da zika e da chikungunya.

Essas ameaças, combinadas aos desastres como terremotos e furacões, entre outros fenômenos, também são desafios regionais. De 2010 a 2016, o continente enfrentou 682 desastres, 20,6% do total mundial. As catástrofes tiveram um impacto econômico estimado em mais de 300 bilhões de dólares.

“As doenças emergentes e as doenças crônicas, que geram deficiências e exigem cuidados por muitos anos, são um obstáculo para o desenvolvimento”, apontou Etienne. “Precisamos de sistemas de saúde fortes, flexíveis e integrados para responder de forma eficaz às novas ameaças e necessidades de uma população envelhecida.”

Acesse o relatório na íntegra clicando aqui.

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