Concentração de renda manteve-se estável no Brasil na última década

Artigo publicado pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), instituição vinculada às Nações Unidas, mostrou que a concentração de renda no topo da pirâmide brasileira é maior do que se imaginava e não mudou entre 2006 e 2014.

O trabalho foi publicado pelos pesquisadores Pedro Herculano Guimarães Ferreira de Souza e Marcelo Medeiros, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Segundo os pesquisadores, na última década, o Brasil parecia estar no caminho para reduzir seus níveis extremos de desigualdade de renda, enquanto todas as pesquisas apontavam para a mesma direção — o país estaria finalmente tendo um crescimento em benefício dos pobres.

No entanto, eles alertam que essas conclusões foram baseadas em pesquisas domiciliares que têm algumas limitações, especialmente no que se refere a acessar a renda dos mais ricos. Segundo os pesquisadores, declarações do Imposto de Renda “têm valor inestimável para conhecer a concentração de renda no topo da pirâmide”.

Dessa forma, os pesquisadores realizaram estimativas baseadas em tabulações de dados do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) dos últimos anos, levando luz ao nível e à evolução das desigualdades de renda no Brasil.

Enquanto as pesquisas domiciliares sugerem que a participação do 1% mais rico na renda total brasileira caiu de 14,8% para 12,9% de 2006 a 2014, as estimativas baseadas nas declarações de Imposto de Renda indicam uma participação mais alta e mais estável — de 22,4%, tanto no início como no fim do mesmo período.

De acordo com o artigo, as pesquisas domiciliares apontam uma queda de 4,8 pontos percentuais na participação dos 10% mais ricos na renda total brasileira, de 49,4% para 44,5% no período analisado. Já os estudos que têm como base o Imposto de Renda indicam uma queda bem mais modesta: de 0,7 ponto percentual, com a participação passando de 50,3% para 49,6%.

Os lucros, a renda obtida com investimentos e os ganhos de capital parecem explicar os resultados divergentes, de acordo com os pesquisadores.

Segundo eles, a estabilidade da concentração de renda no topo da pirâmide brasileira é preocupante porque os níveis são muitos altos comparados a padrões internacionais. Nos 29 países analisados com base em dados de Imposto de Renda, o 1% mais rico detém, em média, apenas 12% da renda total.

O Brasil tem a maior concentração de renda entre os 29 países analisados. Os cinco países em que o 1% mais rico recebe mais do que 15% da renda total são: Brasil, Argentina, Colômbia, África do Sul e Estados Unidos.

Os pesquisadores afirmam não ser possível estimar o coeficiente de Gini brasileiro exclusivamente por meio de dados de Imposto de Renda, uma vez que apenas 20% da população adulta envia suas declarações à Receita Federal.

“A melhor alternativa neste caso é combinar dados da Receita com pesquisas domiciliares, aproveitando a força de cada uma das fontes — ou seja, utilizando as tabulações de Imposto de Renda para os mais ricos e as pesquisas domiciliares para os demais”, disseram. “Assim poderíamos estimar a desigualdade para rendas individuais em meio à população adulta”, afirmaram.

“Uma vez que a renda é muito concentrada no topo (da pirâmide), o resultado líquido é um declínio muito menor das desigualdades do que o sugerido pelas pesquisas domiciliares”, disseram os pesquisadores.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).

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