Quase metade do endividamento das famílias destina-se ao crédito habitacional

O Grupo de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada lançou a seção de Crédito da Carta de Conjuntura nº 37, com dados até outubro deste ano. O documento, assinado pelo técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Estêvão Kopschitz Xavier Bastos, destaca a diferença na evolução do endividamento com crédito habitacional e com outros tipos de crédito.

O endividamento com crédito habitacional cresceu até setembro de 2015, quando atingiu 19,1% da renda das famílias e, depois, apresentou apenas uma pequena redução, registrando 18,4% em setembro de 2017. Já o endividamento com os demais tipos de crédito atingiu o máximo de 31,4% da renda em outubro de 2011, para depois cair até 23% no último mês de setembro.

“Essa evolução implicou uma reestruturação da carteira de crédito das famílias. Até 2008, aproximadamente 85% do saldo do endividamento das famílias correspondia a crédito não habitacional. Atualmente, esse percentual caiu para 55%, isto é, o crédito habitacional se aproximou da metade da carteira de endividamento das famílias”, afirma Kopschitz.

De maneira geral, a redução do endividamento tem ocorrido de forma bastante clara na economia brasileira no período recente. O crédito como proporção do PIB (Produto Interno Bruto) caiu de 54% em dezembro de 2015, quando atingiu seu máximo, para 47% em outubro de 2017. Este foi um fenômeno marcadamente empresarial. Na mesma comparação, entre dezembro de 2015 e outubro último, o saldo de créditos às pessoas jurídicas (PJ) caiu de 28% do PIB (pico da série iniciada em 2007) para 22%, enquanto o saldo a pessoas físicas (PF) ficou aproximadamente estável em 25%.

A diferença de comportamento entre as empresas e os indivíduos também se expressa nos dados de novas concessões de crédito. O dado de outubro corroborou a tendência de crescimento em PF e de estabilidade, em patamar baixo, de PJ. A inadimplência de PF com recursos livres continuou caindo e registrou 5,6% em outubro último. Já a inadimplência de PJ com recursos livres, após atingir o máximo de 6% em maio deste ano, caiu até 5,2% em outubro, mas ainda é um nível alto para a série histórica iniciada em 2000.

A inadimplência com recursos direcionados é, normalmente, baixa e estável. Mas, a partir de 2015, houve considerável elevação nesse segmento no caso de PJ, com a taxa de inadimplência passando do habitual 0,5% para valores entre 1,5% e 2%. “Esse aumento em PJ sofreu grande influência da inadimplência nos financiamentos imobiliários, em que a taxa subiu de 0,5% para cerca de 3%, no caso dos financiamentos a taxas reguladas, e de menos de 1% para mais de 6% no segmento com taxas de mercado”, conclui Kopschitz.

CC37_Crédito

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