30% dos latino-americanos e caribenhos não têm acesso à saúde por razões econômicas

Na América Latina e no Caribe, 30% da população não tem acesso a cuidados de saúde por razões econômicas e 21% não busca atendimento devido a barreiras geográficas. Os dados foram divulgados pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) durante evento realizado esta semana (11 e 12) em Quito em colaboração com o governo equatoriano.

“Aumentar o número de pessoas com cobertura e acesso à saúde gerará resultados positivos não apenas na saúde da população, mas também no progresso econômico e na prosperidade”, disse a diretora da OPAS, Carissa Etienne, destacando a necessidade de “buscar soluções inovadoras para responder ao contexto do século 21”.

O evento teve a participação de quase 200 líderes políticos, representantes da sociedade civil e especialistas de 30 países das Américas, que discutiram o tema da saúde universal.

Saúde universal significa que todas as pessoas, sobretudo as que estão em situação de vulnerabilidade – não importa onde –, tenham acesso a cuidados de saúde efetivos e de qualidade e sejam protegidas de dificuldades financeiras no momento em que necessitam de assistência.

Segundo Etienne, a geração de alianças é chave para alcançar a saúde universal sem deixar ninguém para trás. Ela pediu o “empoderamento das pessoas e das comunidades”, a fim de que possam fazer parte das mudanças necessárias para o alcance da saúde para todos. O encontro teve como meta criar espaços de reflexão e debate acerca do futuro dos sistemas de saúde e forjar alianças estratégicas para transformá-los.

O objetivo é atingir as metas de saúde universal nos próximos 13 anos, compromisso assumido pelos países na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e nas várias estratégias da OPAS e da Assembleia Mundial da Saúde.

Para a ministra da Saúde do Equador, Verónica Espinosa, “a Constituição do Equador garante a saúde como um direito”. Ela destacou que o sistema de saúde do país possui uma abordagem familiar e comunitária que posiciona o usuário no centro da atenção.

Espinosa compartilhou a experiência da estratégia “Médico del Barrio”, uma iniciativa de assistência de casa em casa dos grupos mais vulneráveis, com o fim de melhorar sua saúde e prevenir doenças. A equipe possui, entre outros, um técnico de atenção primária em saúde, que permite a vinculação do sistema com a comunidade.

“A medicina não pertence apenas aos médicos”, disse Espinosa, pedindo aos delegados que “continuem a fortalecer alianças estratégicas e compartilhem experiências e lições aprendidas que apoiem a tomada de decisão dos Estados”. Segundo ela, a estratégia foi inspirada em experiências do Brasil, Venezuela e Cuba.

Mariano Nascone, diretor de assuntos sociais da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), sede da reunião, disse que as políticas ativas de inclusão social dos Estados podem contribuir para alcançar a saúde universal na região mais desigual do mundo. “Aprendemos que, em tempos de recessão econômica, a saúde não pode ser a variável a ser apertada. Fazer isso reduz a qualidade de vida das pessoas e o desenvolvimento dos países”, defendeu.

A reunião “Saúde universal no século XXI: 40 anos de Alma-Ata” ocorreu às vésperas do Dia Mundial de Cobertura Universal (12 de dezembro) e 40 anos após a primeira conferência internacional sobre atenção primária de saúde realizada em 1978 em Alma-Ata, no Cazaquistão.

Esse encontro e sua Declaração promoveram os valores de direito à saúde, à equidade e à solidariedade, além de mudarem a forma de organizar os serviços de saúde, ao ampliar o modelo médico para incluir fatores sociais e econômicos, bem como reconhecer que as ações de numerosos setores, como as ONGs, poderiam melhorar a saúde da população.

Avanços desde Alma-Ata

Quarenta anos após a Declaração de Alma-Ata, os países das Américas têm avançado em direção à cobertura e ao acesso universal à saúde, bem como na melhoria da qualidade dos serviços de saúde, no acesso a medicamentos essenciais e na disponibilidade de tecnologia para salvar vidas. No entanto, cada país tem suas necessidades específicas e muitos desafios permanecem.

A diretora da OPAS, que também é diretora regional para as Américas da Organização Mundial de Saúde (OMS), esclareceu que a expansão da cobertura e do acesso à saúde não podem ser vistos apenas em termos financeiros. “É preciso garantir que os recursos sejam utilizados de forma eficiente e justa”, disse.

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