1 em cada 4 jovens gays no Brasil nunca ouviu falar de remédios para prevenir HIV

Divulgada nesta semana (21), uma enquete realizada no Brasil pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e o aplicativo de relacionamentos gays Hornet mostra que os jovens homossexuais têm menos conhecimento sobre a Profilaxia Pré-exposição, a PrEP, do que os adultos. Em pequisa que entrevistou 3218 usuários do software, um em cada quatro homens de 18 a 25 anos (24%) disse nunca ter ouvido falar desta forma de prevenção do HIV. Entre os participantes da enquete com idade entre 31 e 40 anos, a proporção cai para um em cada dez.

Quando consideradas todas faixas etárias, 15% dos usuários do Hornet desconhecem a PrEP, que consiste na utilização de medicamentos antirretrovirais por pessoas HIV negativas para evitar que contraiam o vírus. Utilizados corretamente, os remédios são altamente efetivos para prevenir o HIV.

O levantamento feito online com os usuários do aplicativo teve como objetivo coletar dados para apoiar ações de conscientização sobre prevenção combinada — quando mais de um método para evitar a infecção pelo HIV são usados por um indivíduo.

A enquete verificou também diferenças de conhecimento sobre a PrEP entre as regiões do país. Os participantes do Nordeste e Norte, por exemplo, apresentaram os menores percentuais de conhecimento sobre a Profilaxia Pré-exposição: 77% e 81%, respectivamente.

De 22 de setembro a 16 de outubro de 2017, usuários do Hornet receberam mensagens do próprio aplicativo com um convite para participar de uma enquete anônima sobre HIV e prevenção. Ao final do questionário, todos eram convidados a visitar o site do UNAIDS Brasil para obter mais informações sobre HIV, PrEP e prevenção combinada. A pesquisa utilizou como base um questionário já adotado pelo Hornet em uma parceria de 2016 com o Centro Europeu para Controle e Prevenção de Doenças (ECDC).

A oferta da PrEP na rede pública foi recentemente implementada pelo Ministério da Saúde — o que tornou o Brasil o primeiro país da América Latina a adotar a disponibilização do medicamento como parte de uma política pública de prevenção combinada.

Em entrevista ao jornal The New York Times, publicada também em dezembro (12), a diretora do UNAIDS no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, ressaltou que “com a incorporação da PrEP, o Brasil está agora oferecendo todas as estratégias de prevenção recomendadas pelo UNAIDS.” Segundo ela, “esta é uma operação de larga escala e o Brasil pode se tornar um exemplo para todos os países da América Latina de que precisamos ver uma abordagem integrada.”

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde no último 1º de dezembro, Dia Mundial contra a AIDS, apontam que é exatamente na faixa etária mais jovem que a epidemia tem crescido mais. Entre jovens do sexo masculino, de 2006 a 2016, a taxa de detecção de casos de AIDS na faixa etária de 15 a 19 anos quase que triplicou (de 2,4 para 6,7 casos por 100 mil habitantes), registrando um aumento de 175%. Entre os jovens de 20 a 24 anos, a taxa mais que dobrou (de 16 para 33,9 casos por 100 mil habitantes), com um aumento de 111%.

Internet é principal fonte de informação sobre a PrEP

Os dados da enquete Hornet-UNAIDS mostraram ainda que a internet foi a principal fonte de informação sobre PrEP entre os participantes. Quando perguntados sobre onde ouviram falar da profilaxia, a maioria (71%) respondeu que foi na internet, incluindo sites, Facebook e aplicativos de relacionamento, como o Hornet.

“Os aplicativos de redes sociais gays se tornaram uma fonte vital de informações úteis sobre saúde para homens gays em todo o mundo. Eles permitem que homens gays troquem informações e possam ajudar a aliviar o isolamento causado pelo estigma e pelo HIV”, explica Alex Garner, estrategista sênior de Inovação em Saúde do Hornet. Garnet conta que o aplicativo tem realizado diversas ações de conscientização sobre a PrEP entre seus usuários, incluindo campanhas informativas, entrevistas com especialistas e a instalação de ferramentas no próprio aplicativo.

Os resultados da enquete também indicaram que uma parte importante dos usuários deseja utilizar a PrEP como forma de prevenção:

  • 36% concordaram/concordaram totalmente com a afirmação “é provável que eu use PreP nos próximos seis meses”.
  • Somente 19% discordaram desta afirmação;
  • E 45% responderam não ter certeza—o que pode indicar uma necessidade importante de ampliar o acesso a informações sobre a PrEP.

Apesar de a PrEP não estar disponível no SUS no momento da pesquisa, 167 entrevistados (7%) responderam estar tomando os remédios da profilaxia. Entre estes, mais da metade (55%) estavam tomando PrEP como parte de um projeto de pesquisa e outros 20% compraram a PrEP pela internet.

Os resultados da enquete indicam também uma situação de alta vulnerabilidade ao HIV entre os homens gays que responderam ao questionário. Em relação ao acesso à testagem, um em cada cinco disseram não ter se testado para alguma infecção sexualmente transmissível (IST) nos 12 meses anteriores à pesquisa. Entre os que se testaram, 27% tiveram diagnóstico positivo para alguma IST. Além disso, 10% responderam ter utilizado alguma droga estimulante durante o sexo nos três meses anteriores à pesquisa. Aproximadamente 28% de todos os entrevistados declaram ser HIV positivos.

“A epidemia do HIV no Brasil continua atingindo desproporcionalmente gays e outros homens que fazem sexo com homens, assim como pessoas trans e profissionais do sexo”, alerta a diretora do UNAIDS no Brasil. “A PrEP não representará sozinha uma solução mágica para este problema, mas a sua oferta representa, seguramente, uma oportunidade excelente para reforçarmos as ações de prevenção do HIV entre as populações-chave, a partir da perspectiva de prevenção combinada.”

Acesse os resultados da pesquisa do UNAIDS e do Hornet clicando aqui.

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