Na ONU, Brasil pede um minuto de silêncio por Marielle Franco

Participantes de um encontro sobre os direitos da mulher, ocorrido na sede global das Nações Unidas na quinta-feira (15), fizeram um minuto de silêncio em respeito à vereadora Marielle Franco, assassinada um dia antes, no Rio de Janeiro.

O tributo foi solicitado pela secretária especial do Brasil de Política para as Mulheres, Fátima Pelaes, numa reunião à margem da sessão anual da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, em Nova Iorque.

“Ela estava exercendo o seu papel. Portanto, nós mulheres estamos aqui registrando a nossa indignação. E esperamos que venha ser esclarecida. Que seja punido. E que nós possamos através do exemplo desta mulher que morreu no campo de batalha, que nós possamos alertar para que as mulheres possam continuar travando uma luta para vivermos sem violência. Portanto, eu queria pedir a todos e a todas que nós possamos levantar e fazer um minuto de silêncio em respeito à vida de Marielle”, destacou a secretária brasileira.

O assassinato da vereadora Marielle Franco, do Partido Socialismo e Liberdade, Psol, do Rio de Janeiro, foi condenado pelo Sistema das Nações Unidas no Brasil, pelo Escritório de Direitos Humanos, e agências da organização incluindo a ONU Mulheres.

Em sua conta em uma rede social, a chefe da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, afirmou que o assassinato de Marielle Franco deve unir todos na luta contra ataques violentos a defensores de direitos humanos.O Sistema ONU no Brasil divulgou uma nota na manhã seguinte ao assassinato destacando que era “uma das principais vozes em defesa dos direitos humanos na cidade” e que “desenvolvia plataforma política relacionada ao enfrentamento do racismo e das desigualdades de gênero e pela eliminação da violência, sobretudo nas periferias e favelas do Rio”.

A ONU diz ter “expectativa de rigor na investigação do caso e breve elucidação dos fatos pelas autoridades, aguardando a responsabilização da autoria do crime”.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, órgão sediado em Genebra, também condenou o assassinato, que classificou como “profundamente chocante”, lembrando que Marielle foi “uma reconhecida defensora dos direitos humanos que atuava contra a violência policial e pelos direitos das mulheres e das pessoas afrodescendentes, principalmente nas áreas pobres”.

“Entendemos que as autoridades se comprometeram a realizar uma completa investigação dos assassinatos ocorridos no Rio de Janeiro na quarta-feira à noite. Apelamos para que essa investigação seja feita o quanto antes, e que ela seja minuciosa, transparente e independente para que possa ser vista com credibilidade. Os maiores esforços devem ser feitos para identificar os responsáveis e levá-los perante os tribunais”, afirmou o porta-voz do organismo internacional especializado em direitos humanos.

A campanha das Nações Unidas no Brasil “Vidas Negras”, que busca ampliar a visibilidade do problema da violência contra a juventude negra no país, expressou por meio das redes sociais “solidariedade aos familiares e amigos da vereadora Marielle Franco”, se somando a “todos e todas que esperam uma investigação rigorosa e ágil”.

“Na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Marielle teve atuação marcada pela defesa da igualdade racial e voz ativa exigindo o fim da violência contra a juventude negra. Sua memória agora nos inspira a continuar buscando sem cessar caminhos para valorizar cada vez mais as vidas da juventude negra brasileira”, acrescentou o texto da mensagem.

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