Nas Américas, 77 milhões de pessoas adoecem anualmente por causa de alimentos contaminados

Em visita ao Equador para avaliar o uso de antibióticos na produção agrícola, especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertaram em agosto para os riscos da resistência crescente de bactérias aos remédios. Com agentes infecciosos mais fortes, as doenças transmitidas por comida contaminada podem ter impacto ainda maior sobre a população. Nas Américas, essas enfermidades acometem mais de 77 milhões de pessoas por ano.

“Mais de 9 mil falecem (anualmente por causa dessas patologias)”, enfatizou Simone Raszl, uma das integrantes da missão da OMS ao país sul-americano.

Em reunião na Universidade Central do Equador, a analista acrescentou que, anualmente, nas Américas, 31 milhões de crianças com menos de cinco anos contraem alguma doença por meio de alimentos. Entre pacientes na primeira infância, as infecções desse tipo chegam a causar cerca de 2 mil mortes por ano na região.

“Esse número pode crescer se essas enfermidades são causadas por bactérias resistentes. O tratamento é muito mais complicado e a gravidade da doença, mais forte, o que pode elevar o número de doentes e mortos”, completou a especialista, que é assessora regional para Segurança de Alimentos do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA). A instituição é vinculada à OMS.

Durante o encontro, o reitor da universidade, Fernando Sempértegui, ressaltou que, no Equador, “não foi possível até o momento estabelecer uma legislação apropriada de prescrição rigorosa dos antibióticos e isso aumentou a resistência bacteriana”.

“Temos desafios de um ponto de vista duplo, da medicina humana e da medicina veterinária, para resolver esse problema”, completou o dirigente.

De 28 a 31 de agosto, a delegação da OMS visitou agências reguladoras e instituições de pesquisa do Equador, além de conhecer granjas e o mercado de Quito. O organismo internacional participou de apresentações sobre o atual projeto do país para prevenir e combater a resistência aos antibióticos associada à salmonela, gastroenterite e outras doenças do sistema digestivo. O foco da estratégia são centros de produção e comércio de frango.

Com a política, a agência da ONU e o governo local esperam implementar um sistema permanente de monitoramento da resistência de agentes patogênicos a remédios. “A resposta não é apenas do setor de saúde, é um esforço conjunto frente a um desafio para a saúde, a segurança alimentar e o desenvolvimento”, afirmou a representante da OMS no Equador, Gina Watson.

O projeto equatoriano é implementado pela Unidade de Investigação de Doenças Transmitidas por Alimentos e Resistências Antibacterianas (UNIETAR). A iniciativa é financiada pelo Grupo Assessor da OMS em Vigilância Integrada da Resistência aos Antimicrobianos — organismo responsável pela viagem de especialistas ao país.

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