Gastos com guerra no mundo são 3 mil vezes maiores que despesas com alimentação escolar, diz ONU

O chefe do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), David Beasley, cobrou no último mês, mais investimentos na alimentação escolar. Em participação no 20º Fórum Global de Nutrição Infantil, na Tunísia, o dirigente lembrou que o mundo gastou com guerras em 2017 o valor estimado de 15 trilhões de dólares. Montante é 3 mil vezes mais alto do que o orçamento necessário para fornecer refeições em centros de ensino de todo o mundo.

“Não podemos investir 4,6 bilhões de dólares em nossas crianças?”, questionou Beasley em pronunciamento na abertura do evento. “Alimentação escolar, nutrição e educação são os pilares do futuro e da prosperidade do mundo.”

Realizado de 21 a 25 de outubro, o fórum reuniu em Túnis, capital da Tunísia, 363 representantes de 59 países. A principal recomendação do encontro foi de que governos devem assumir a coordenação e implementação dos programas de alimentação escolar — em algumas nações em desenvolvimento, a gestão dessas iniciativas fica a cargo de instituições terceiras, como organizações internacionais. Os participantes da reunião concordaram que cabe aos Estados prover fundos regulares e suficientes para alcançar todas as crianças e adolescentes.

“Compromisso político de governos, coordenação entre os vários setores envolvidos na alimentação escolar e mobilização de recursos dos orçamentos nacionais são essenciais para alcançarmos programas sustentáveis de alimentação escolar”, defendeu o diretor do Centro de Excelência contra a Fome, Daniel Balaban, também presente no fórum.

Em 2018, o evento anual teve como tema as contribuições da alimentação escolar para o fim da fome e para a nutrição adequada, bem como outros benefícios sociais trazidos pelo fornecimento de comida saudável em colégios.

“Nós sabemos que quando investimentos em alimentação escolar e distribuição de alimentos de forma sustentável, as taxas de migração, gravidez precoce e casamento infantil diminuem”, acrescentou Beasley durante seu discurso.

A comissária de Recursos Humanos, Ciência e Tecnologia da União Africana, Sarah Anyang Agbor, afirmou que “a alimentação escolar é uma estratégia continental para reposicionar o sistema de educação africano, a fim de alcançarmos a África que queremos”.

Experiência tunisiana

O fórum acontece em um país diferente a cada ano, para que os participantes tenham a oportunidade de conhecer experiências de alimentação escolar distintas. Na cerimônia de abertura, o ministro da Educação da Tunísia, Hatem Bem Salem, explicou como o país provê refeições quentes para 240 mil alunos em 2,5 mil escolas.

O programa nacional é executado pela pasta da Educação em parceria com o PMA. A estratégia tem o apoio da agência de cooperação italiana, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Banco Mundial.

O governo tunisiano visa cobrir de 30% a 40% das necessidades nutricionais das crianças. Os participantes do fórum visitaram uma escola primária onde funciona o modelo descentralizado, com uma cozinha no próprio centro de ensino para o preparo das refeições. As delegações também conheceram dois colégios que adotam a abordagem centralizada, na qual a comida é feita numa cozinha central no município e distribuída para as instituições educacionais.

Recomendações

O fórum aprovou um documento final com dez recomendações sobre alimentação escolar. O texto reconhece a necessidade de vontade política para universalizar iniciativas de fornecimento de refeições em centros de ensino. O marco também destaca a importância de integrar setores diversos, como educação e agricultura. Confira abaixo as orientações:

• Os governos devem se apropriar dos programas nacionais de alimentação escolar e fornecer gradualmente fundos, o suficiente e de forma regular, dos orçamentos nacionais ou de outras fontes para alcançar todas as crianças e adolescentes;

• O governo e os parceiros devem empreender esforços para promover as compras locais, a fim de garantir que a alimentação escolar sirva de mercado para pequenos agricultores e pequenas empresas de alimentos, beneficiando as economias locais;

• Devem ser criadas estruturas legais específicas no país e estratégias abrangentes para programas de alimentação escolar;

• A educação alimentar e nutricional, específica para cada contexto, deve ser integrada em todos os currículos de nível de ensino. Essa formação deve ter como foco o desenvolvimento de habilidades e a mudança de comportamento;

• Os programas de alimentação escolar devem ter sistemas robustos de monitoramento e avaliação, liderados pelos países e com capacidade para informar decisores políticos;

• Os programas de alimentação escolar devem basear-se em estratégias, planos e políticas de desenvolvimento nacional;

• A comida servida nos programas de alimentação escolar deve ser diversa, nutritivamente adequada e atender a padrões de qualidade;

• Alimentos ricos em micronutrientes devem ser integrados nos programas;

• Os países devem mapear os seus resultados anuais em relação aos compromissos firmados com a alimentação escolar, além de relatá-los ao Fórum Global de Nutrição Infantil (GCNF);

• Os países devem completar a Pesquisa Global sobre Alimentação Escolar.

Clique aqui para ler o documento na íntegra (em português).

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